Gottardello
Carros a combustão têm queda em dois anos (muitos só vendem em nichos)
Mercado brasileitos está ficando difícil para os carros com motor ICE (puramente a combustão), enquantos eletrificados crescem

Fiat Mobi Like (Divulgação Stellantis)
A virada da eletromobilidade segue cada vez com mais força no Brasil, com alta de 123% nas vendas de híbridos leves (sem recarga externa), híbridos plug-in e EVs, além dos micro-híbridos (dotados de superalternadores), e recorde de participação em julho, de 23,3%.
“Os números do mês passado mostram os modelos eletrificados como vetor estrutural do mercado brasileiro, com alta de 151% (de 24,5 mil para 61,7 mil unidades) sobre o mesmo período de 2025”, pontua o diretor de negócios (CBO) da Bright Consulting, Fernando Pfeiffer.
Já os modelos a combustão interna tiveram queda de -1,3% (de 205,7 mil para 202,9 mil unidades). “O ritmo mensal de crescimento dos eletrificados também manteve sua curva ascendente, com avanço de seis pontos percentuais em relação à alta registrada em junho”, complementa.
Leia também
Os EVs puros, 100% elétricos, representam o nicho que mais cresce: 225%, em 48 meses.As marcas chinesas registraram um novo recorde de participação nacional, abocanhando uma fatia de 23% dos emplacamentos – há apenas três anos, tinham uma cota de 8% e, há uma década atrás, 0,2%.
“O avanço expressivo, de mais de três pontos percentuais sobre junho, é especialmente significativo porque a maior parte das vendas dessas marcas acontece nos salões dos concessionários para pessoas físicas, que vão a um revendedor e adquirem o modelo de sua escolha, pessoalmente”, destaca Pfeiffer.
Em julho, cinco fabricantes de trás da Grande Muralha figuraram entre os 15 líderes brasileiros e todos eles registraram o menor percentual de vendas diretas nos seus licenciamentos. Enquanto mais de 70% das comercializações da Fiat, líder nacional, foram para frotistas e canais corporativos, 73% das entregas da BYD foram para consumidores particulares – no caso da GWM (marcas Haval, Ora, Tank, Poer e Wey), as vendas diretas correspondem a apenas 22%; no caso da Geely e da CAOA Chery, só 3%.
“Há uma mudança estrutural no comportamento do consumidor brasileiro em curso. Basta ver que, enquanto o mercado total de carros de passeio e comerciais leves, somando todos os tipos de motorização, cresceu 19% entre janeiro e julho, os eletrificados, com aumento de mais de 120% no período, cresceram seis vezes mais”, sublinha o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e diretor de relações institucionais da GWM, Ricardo Bastos.
“Estamos colhendo os resultados de um trabalho pela inovação tecnológica, pelo transporte limpo e sustentável”, completa Bastos.
“Desafios da transformação”
Os modelos a combustão fecharão 2026 com mais de 70% de participação, no mercado nacional, mas o rápido avanço da virada da eletromobilidade no país vem mexendo nas peças do tabuleiro e fazendo com que marcas como a Hyundai revejam suas estratégias para o futuro.
“Nosso crescimento a longo prazo passa pela eletrificação”, afirmou o ‘chairman’ e presidente-executivo (CEO) do Hyundai Motor Group, Chung Eui-sun, durante sua visita à fábrica de Piracicaba (SP), no final de junho. “Estamos considerando a produção de um EV compacto, no país, e acelerando o desenvolvimento de nosso motor híbrido flexível (FFV-HEV). Vamos reforçar nosso desenvolvimento e localizar a produção de novos propulsores, para enfrentarmos os desafios de um ambiente em transformação”, promete Eui-sun.
O chefão mundial da Hyundai sabe que as vendas globais de modelos a combustão interna estão em queda, desde 2017. Só neste ano, irão encolher 4,5 milhões de unidades em todo o mundo, fechando 2026 com a menor participação global, 60%, desde que se tornaram dominantes, no início do século 20.
O Brasil já espelha este movimento, com os EVs e os híbridos plug-in respondendo por quase 75% das vendas de modelos eletrificados, enquanto os híbridos sem recarga externa têm uma fatia bem menor, de 15% – já os micro-híbridos, com seus superalternadores, têm menos de 10% de participação.
A dupla formada por BYD Dolphin e Dolphin Mini segue na liderança nacional, entre os carros de passeio, com 13,7 mil unidades (7.265 unidades do Mini e 6.492 unidades, do irmão maior). A picape Strada, da Fiat, liderou as vendas de julho, com 14,9 mil unidades, mas trata-se de um comercial leve. Os Volkswagen Polo, Tera e Onix vêm na sequência da dupla da BYD, que foi a segunda marca que mais cresceu no período, 113% em relação a 2025, atrás apenas da GMW, com alta de 131%. Chery, Geely e Omoda Jaecoo também vêm ganhando terreno e já deixaram Citroën e Peugeot a ver navios.
Um dado de extrema relevância é o encolhimento consecutivo das vendas de modelos a combustão: em julho de 2024, foram emplacadas mais de 212 mil unidades, contra menos de 203 mil unidades, no mês passado. Na ponta do lápis, as antigas motorizações apresentam retração de -4,2% em 48 meses, o que dá crédito à projeção do International Council On Clean Transportation (ICCT), de que, já em 2032, portanto em seis anos, os empregos na produção de eletrificados superarão o cenário atual do setor.















