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Balanço do 34º Congresso Fenabrave: mercado aquecido e o impacto das marcas chinesas

O 34º Congresso Fenabrave projeta alta nas vendas de veículos em 2026 e analisa o impacto do avanço de marcas chinesas nos preços de carros

Fernando Calmon

Fernando Calmon

23 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

Balanço do 34º Congresso Fenabrave: mercado aquecido e o impacto das marcas chinesas

Foram três dias de análises, debates e previsões, encerrados no último dia 19, de um setor dos mais importantes na economia brasileira. A Fenabrave representa 8.523 concessionárias de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, tratores e implementos rodoviários. Os resultados de vendas têm surpreendido e as previsões do início do ano foram revistas para cima.

Somente no segmento de automóveis e comerciais leves o crescimento foi de 18,7%: 1.726.644 unidades vendidas, contra 1.454.044 em 2025. Houve um forte movimento de antecipação de compras no primeiro semestre por parte das locadoras. A previsão agora aponta para um avanço menor, de 8,8% no fechamento do ano, o que ainda representa um bom resultado.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

Arcélio dos Santos Júnior, presidente da entidade, lembrou que programas de incentivos governamentais ofereceram condições melhores de financiamento, mas já se esgotaram ou beneficiaram poucos novos compradores entre taxistas e carros de aplicativos por razões cadastrais.

Do total de associadas, 1.380 concessionárias representam 15 marcas chinesas (até agora, sem contar a breve chegada da BAIC), correspondendo a 16,8% do total. Este rápido avanço provocou deflação nos preços dos carros novos e dos usados seminovos, devido ao aumento da competição no setor. “Isso faz parte do negócio e obrigou marcas tradicionais no mercado a se movimentarem. A redução nos preços dos novos também se refletiu nos usados, que estão abaixo da tabela da Fipe. Mas o setor está reagindo bem a este novo desafio”, acrescentou o presidente.

Impressões: BMW iX3 50 xDrive destaca ímpeto para acelerar

A ideia central da marca alemã é combinar a tradição da BMW em dinâmica de condução à eficiência e respostas instantâneas de um veículo elétrico. O SUV iX3 50 xDrive M Sport, sua identificação completa, vai muito bem nestes quesitos ao entregar acelerações lineares e vigorosas, além de acertos dinâmicos que se destacaram em uma primeira avaliação de São Paulo a Brotas (SP), no Raceville Speed Club.

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Seu estilo, mais arrojado, o diferencia de forma notável dos modelos tradicionais de motor a combustão, embora a conhecida grade vertical, no formato de duplo rim, o identifique claramente. As rodas são de 21 polegadas e as maçanetas são embutidas. Destaque para o porta-malas de 520 litros e mais 58 litros sob o capô.

O interior também foge do convencional, em especial pelo desenho do volante, da central multimídia retangular de 17,9 polegadas e de um largo mostrador horizontal na base do para-brisa, com várias informações visíveis a todos os ocupantes.

Os motores dianteiro e traseiro totalizam 469 cavalos e 47,8 quilogramas-força metro, sendo que o traseiro tem quase o dobro de potência e torque do dianteiro. Há um novo tipo de bateria de células cilíndricas e capacidade de 108,7 kWh. O modelo admite recarga com potência de até 400 kW — o tempo de 10% a 80% é de apenas 21 minutos — e oferece um alcance médio (cidade/estrada) de 570 quilômetros, o maior do mercado pelo padrão Inmetro.

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Ao aliviar o acelerador, o sistema pode recuperar parte da energia cinética e transformá-la novamente em energia elétrica para a bateria. Isso permite utilizar bastante o chamado “one pedal”, reduzindo a necessidade de usar o pedal do freio em situações de tráfego lento.

Como todo carro elétrico, a rapidez das respostas impressiona. Isto significa acelerações bastante lineares e vigorosas: 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, apesar de sua expressiva massa de 2.285 quilos. Mesmo sendo um SUV, o iX3 apresenta o comportamento característico de um BMW, tanto em curvas quanto em mudanças rápidas de trajetória.

GAC GS9 Ultra: grande e pesado, porém ágil

Entre tantos SUVs que o mercado brasileiro não para de receber, ainda há espaço para um nicho em que a GAC encaixa bem o GS9 Ultra. São três fileiras de bancos duplos para motorista e cinco passageiros (um arranjo 2+2+2, já visto em outro modelo chinês, o Wey 07), além de um conjunto mecânico diferenciado. As dimensões são realmente avantajadas, só um pouco inferiores ao modelo da GWM: comprimento de 5.060 milímetros, entre-eixos de 2.930 milímetros, largura de 1.950 milímetros e altura de 1.760 milímetros. Sua massa é de nada menos que 2.365 quilos.

O formato de linhas retas da carroceria segue a moda e, na traseira, chama a atenção o desenho das lanternas interligadas e descendentes nas extremidades. As rodas de 20 polegadas possuem desenho bem elaborado (com duas opções) e o porta-malas (sem padrão indicado pelo fabricante) oferece volume entre 255 e 1.005 litros. No interior, há uma grande tela multimídia de 15,6 polegadas, carregador de celular de 50W e 21 alto-falantes. A segunda fileira de bancos reclináveis conta com massagem, saídas de ar quente e frio e até mesinhas, a exemplo dos aviões.

GAC Aion UT

O destaque em segurança fica para os nove airbags — incluindo um central entre os bancos dianteiros — e o pacote ADAS (nível 2,5) com câmera de visão 540 graus e detecção de objeto no ponto cego, entre outros assistentes.

O conjunto motriz combina um motor turbo 1.5 a gasolina (de 160 cavalos e 21,4 quilogramas-força metro) com mais dois motores elétricos: o dianteiro com 231 cavalos e 25,5 quilogramas-força metro, e o traseiro com 109 cavalos e 16,8 quilogramas-força metro. São 500 cavalos de potência combinada e 62,5 quilogramas-força metro de torque (embora haja dúvidas na forma de cálculo pelo fabricante), o que permite ao utilitário acelerar de 0 a 100 km/h em rápidos 5,9 segundos.

O alcance médio (urbano/rodoviário) no modo elétrico, com a bateria de 44,5 kWh, é de 114 quilômetros no padrão Inmetro. Na realidade, ele se enquadra tecnicamente como um veículo elétrico de alcance estendido pelo motor a combustão, sendo também recarregável em tomadas (plug-in).

No primeiro contato, em um trajeto curto de 40 quilômetros, o GS9 destacou-se pelo silêncio de marcha e respostas muito boas ao acelerador. De início, apenas os dois motores elétricos atuam e, se mais exigido, o motor a combustão entra em ação. Nas curvas, o tamanho e a massa elevados exigem atenção, mas não causam sustos. Os freios são muito bem dimensionados para um veículo de quase duas toneladas e meia, mas suspensões um pouco mais firmes seriam o ideal para o conjunto.

Preço: R$ 399.990.

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