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Mercado de carros usados começa a rever antigos preconceitos sobre os eletrificados

Em artigo na newsletter da Bright Consulting, Bruno Fracasso mostra como os carros eletrificados esrtá mudando a visão do setor de usados

Bruno Fracasso

Bruno Fracasso

01 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Mercado de carros usados começa a rever antigos preconceitos sobre os eletrificados

Durante os primeiros anos da eletrificação no Brasil, havia praticamente um consenso no mercado de usados: veículos elétricos e híbridos desvalorizariam mais rapidamente que os modelos a combustão.

Essa percepção era sustentada por diversas incertezas. Quanto tempo durariam as baterias? Qual seria seu custo de reposição? A infraestrutura de recarga evoluiria na velocidade necessária? O avanço tecnológico tornaria rapidamente os veículos obsoletos? E, principalmente, haveria compradores suficientes para esses modelos no mercado de segunda mão?

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Essas dúvidas acabavam sendo incorporadas ao valor residual dos veículos, tornando os eletrificados, durante muitos anos, um investimento percebido como de maior risco.

Mas esse cenário começa a mudar

Levantamento realizado pela Bright Consulting, comparando veículos zero-quilômetro vendidos em julho de 2025 com seus preços atuais no mercado de usados, considerando valores deflacionados, mostra que o mercado já não trata todos os eletrificados da mesma forma.
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A tabela revela uma mudança bastante interessante. O destaque positivo está justamente nos veículos elétricos de entrada. Enquanto os automóveis a combustão de até R$ 170 mil perderam, em média, 13,4% de seu valor real, os elétricos dessa faixa apresentaram desvalorização de apenas 7,9%, praticamente metade da observada nos veículos convencionais.

Esse resultado indica que parte das incertezas que cercavam a tecnologia vem sendo superada. A confiança dos consumidores aumentou, a infraestrutura de recarga evoluiu, as garantias das baterias se tornaram mais robustas e o custo total de propriedade (TCO) passou a ser mais bem compreendido pelo mercado. Além disso, a oferta de elétricos usados ainda permanece relativamente limitada, ajudando a sustentar seus preços de revenda.

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O cenário muda nas faixas superiores de preço

Entre R$ 250 mil e R$ 350 mil, os híbridos plug-in (PHEVs) registram a maior desvalorização do estudo, atingindo 22,2%, enquanto os elétricos chegam a 20,5%. Já acima de R$ 350 mil, os BEVs apresentam perda de 21,2%, refletindo um comportamento típico do segmento premium.

Essa dinâmica é consequência da velocidade com que esse mercado evolui. Os veículos de maior valor agregado sofrem diretamente os efeitos da renovação tecnológica, do lançamento de novas gerações com autonomias maiores e sistemas eletrônicos mais sofisticados, além das sucessivas reduções de preços promovidas pelas próprias montadoras, especialmente pelas marcas chinesas. Quando um veículo novo passa a oferecer mais tecnologia por um preço semelhante — ou até inferior — ao praticado anteriormente, a pressão sobre os preços dos usados torna-se inevitável.

Outro aspecto relevante é o crescimento da concorrência. A chegada de um número crescente de fabricantes chineses ampliou significativamente a oferta de veículos eletrificados novos em praticamente todas as faixas de preço. Esse movimento beneficia o consumidor, mas torna o mercado secundário mais seletivo, diferenciando claramente os modelos que conseguem preservar valor daqueles que sofrem maior pressão competitiva.

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A principal conclusão do estudo é que o mercado brasileiro de usados entrou em uma nova etapa de maturidade. Os eletrificados deixaram de ser avaliados como um grupo homogêneo. Hoje, o comportamento do valor residual depende cada vez mais do posicionamento do produto, da faixa de preço, da velocidade de atualização tecnológica e da estratégia comercial de cada fabricante.

Mais do que acompanhar a eletrificação da frota, consumidores, locadoras, financeiras e montadoras precisarão acompanhar também a evolução do valor residual dos diferentes modelos. Afinal, em um mercado cada vez mais competitivo, preservar valor de revenda tornou-se um dos principais atributos de um automóvel — independentemente da tecnologia que o move.

*Artigo publicado originalmente na newsletter da Bright Consulting. Bruno Fracasso é Especialista em Produto da Bright Consulting.

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