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Preço dos carros não é real (é só posicionamento). O que vale é o praticado

Preço dos carros não é real, é só posicionamento. Vale é o praticado, mas as montadoras usam o preço elevado para proteger o valor do carro

Milad Kalume Neto

Milad Kalume Neto

29 de julho de 2026 · 3 min de leitura

Preço dos carros não é real (é só posicionamento). O que vale é o praticado

No mercado automotivo existe uma diferença que, muitas vezes, passa despercebida pelo consumidor, mas que é fundamental para fabricantes, concessionários, bancos e empresas de mobilidade: o preço de tabela e o preço realmente praticado não são necessariamente a mesma coisa.

O chamado preço público sugerido, ou MSRP (Manufacturer’s Suggested Retail Price), não é apenas um número colocado na etiqueta de um veículo, mas representa a referência estratégica de posicionamento da marca e influencia diretamente as avaliações de mercado, financiamento, seguros, valor residual e até a percepção que o consumidor tem sobre o produto.O preço transacionado pode variar conforme fatores distintos, que incluem região geográfica, estoque disponível, perfil do cliente, canal de venda, negociação da concessionária, entre outros.

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Por isso, ao contrário do que muitos imaginam, uma fabricante raramente reduz oficialmente o preço de tabela de um veículo. Ela opta por trabalhar em ações comerciais para atuar no preço transacionado e para isto atua com elementos como bônus, campanhas promocionais, taxa de juros subsidiadas, valorização de usados e outros benefícios agregados.

A diferença aparentemente é apenas contábil, mas seus efeitos são completamente distintos. No setor automotivo detalhes constroem valor.

A manutenção do preço de lista protege o patrimônio do consumidor. Para grande parte dos brasileiros, o veículo representa um dos principais bens adquiridos ao longo da vida e por tal motivo, uma redução frequente de preços oficiais tem impacto direto no proprietário afetando o processo de venda do veículo com aumento da depreciação, desvalorização pelos concessionários no momento da avaliação para a troca, analise pelas instituições financeiras que necessitam tomar o veículo como garantia e as próprias locadoras que precisam ter toda a depreciação do veículo mapeada para cálculo do valor residual.

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O consumidor pode interpretar a redução como uma vantagem para quem está comprando naquele momento, mas para quem comprou anteriormente ela representa uma perda patrimonial.

O impacto no financiamento

Por ser um ativo financeiro, bancos e instituições financeiras analisam continuamente referências de mercado para definir potencialmente o valor de entrada, prazos para pagamento, taxa de juros e percentual financiável do automóvel. Uma alteração brusca no valor do veículo tende a alterar a percepção de risco daquele veículo.

Sob a ótica da concessionária, o impacto pode ocorrer com estoque no pátio, na margem planejada e na expectativa de comercialização. A lógica é simples, os veículos adquiridos serão vendidos por condições inferiores, reduzindo a margem.

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E a rede não é apenas um ponto de venda, mas é o principal ponto de referência pela experiência do cliente, pelo pós-venda, pela manutenção e pela construção da reputação da marca.

A manutenção do preço de lista oferece uma ferramenta importante para a fabricante: a flexibilidade. Esta maleabilidade proporciona ajustes comerciais relevantes sem comprometer a percepção de valor do veículo, como: bônus de fábrica, campanhas regionais, financiamento subsidiado, taxa promocional, valorização dos usados na troca, pacotes de serviços, entre outros.

Um preço baixo conquista mercado, mas é o valor que constrói a marca.

A consolidação de uma marca depende também da disciplina comercial. Não basta oferecer inovação por menos dinheiro. É necessário garantir que o consumidor acredite que aquele produto manterá seu valor ao longo do tempo.

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É no valor percebido, no atendimento do pós-venda, na disponibilidade de peças, no respeito às leis e no consumidor brasileiros e numa série de outros fatores indiretos que se constrói uma marca.

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