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Gol, Uno e Sandero se tornam dilema para montadoras

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

10 de julho de 2023 · 5 min de leitura

Gol, Uno e Sandero se tornam dilema para montadoras

Um fantasma paira sobre a indústria automobilística: o fantasma do programa Rota 2030. Desde 1º de outubro passaram a vigorar os novos valores para eficiência energética – e isso vai mexer bastante com o portfólio de algumas marcas. Carros populares, como Volkswagen Gol 1.6, Fiat Uno 1.0 e Renault Sandero 1.6 podem até ser retirados da linha se as montadoras não conseguirem melhorar a eficiência média com novos modelos.

Mas há outras formas de salvá-los. No caso da Volkswagen, a montadora mandou para o sacrifício o Fox 1.6. Na Fiat, os sacrificados foram o Argo 1.8 e o Cronos 1.8. Na Renault, quem pagou o pato, por enquanto, foi o Sandero R.S. 2.0. Esses movimentos são importantes porque, a partir de agora, as montadoras que não atingirem as metas de eficiência energética pagarão multa.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

“As regras do Rota 2030 não determinam que os objetivos de eficiência energética sejam alcançados já a partir do primeiro mês de mensuração, mas que a média ponderada da marca nos 12 meses chegue lá “, explica Cássio Pagliarini, da Bright Consulting. “Por outro lado, os fabricantes interessados em bonificação de 1 ou 2 pontos percentuais de IPI para determinados modelos e versões não podem perder nenhum tempo, pois devem solicitar a qualificação antecipada até o final de outubro de 2021.”

Fiat Uno
Fiat Uno

É por isso que a Kia anunciou a chegada do Stonic, seu primeiro SUV híbrido, a Nissan tirou de linha o Versa V-Drive 1.6, a JAC aumentou sua oferta de elétricos e a Caoa Chery vai lançar carros híbridos em breve. Algumas marcas estão bem longe das metas. Os piores casos são os da Suzuki (-25%) e da Kia (-15%). Depois, numa faixa entre -6% e -10% aparecem Caoa Chery, Jaguar, Land Rover, Mercedes-Benz e Renault.

Numa posição um pouco mais confortável (até -5%) aparecem Audi, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot-Citroën (ex-PSA) e Volkswagen. A Mitsubishi e a JAC também estão neste grupo, mas com apenas -1% – então é fácil atingir a meta. Da mesma forma, a Ford, e a Fiat-Jeep (ex-FCA) também estão praticamente na meta, mas precisam fazer mudanças – daí a ameaça que ainda recai sobre o Uno 1.0. Ainda na Fiat, o Siena 1.0 e 1.4 e o Doblò 1.8 são carros que pioram a média.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid
Renault Sandero
Renault Sandero

A Honda vai mandar para o sacrifício o Civic 2.0 num primeiro momento e o Fit 1.5 na sequência. A Peugeot e a Citroën precisam compensar a pouca eficiência do 208 1.6 e do C4 Cactus 1.6, ambos aspirados. Na Kia, o Rio 1.6 e o Cerato 2.0 pioram muito a média da marca. Na Renault, além do Sandero 1.6, o Logan 1.6 é um problema. Na Caoa Chery, os carros menos eficientes são o Tiggo 2 e o Tiggo 5X, ambos 1.5. Na jaguar, o beberrão é o XE 2.0. E n a Volkswagen há outros problemas, além do Gol 1.6: Voyage 1.0 e 1.6, Polo 1.0 MSI e 1.6 e Virtus 1.6.

Quem é quem no Rota 2030
Quem é quem no Rota 2030

O fato de um carro estar piorando a média não significa que ele necessariamente sairá do mercado, mas é provável que a montadora vai ofertá-lo ao mínimo . Segundo Cassio Pagliarini, o Rota 2030 também vai provocar um aumento na participação de carros híbridos (para 2,7%), turbinados (para 50%) e com Start-Stop (para 40%). O consultor da Bright Consulting publicou um texto no site da empresa explicando quais são os caminhos que cada montadora pode trilhar para alcançar as metas:

"Em primeiro lugar, a substituição pura e simples de motorizações mais antigas por outras mais eficientes carrega os modelos para a direção desejada. Quanto mais cedo essa substituição acontece dentro do período de mensuração, mais rapidamente a marca irá se aproximar das metas. Muitos modelos já tiveram essas mudanças implementadas ao longo de 2021, como o motor 1.3 Turbo no Jeep Compass, ou o motor 1.0 Turbo do Hyundai Creta. No caso da Toyota, a disponibilidade de motorizações híbridas a etanol no Corolla e Corolla Cross foi suficiente para impulsionar fortemente a empresa na direção correta, inclusive com a qualificação antecipada dos incentivos."

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"A substituição de modelos por outros mais eficientes também assegura o atingimento dos objetivos. Com a redução de imposto de importação para veículos eletrificados, a maioria das importadoras “virou a chave” e está concentrando seu portfólio dessa forma (regime de redução de impostos com vencimento em dezembro deste ano). Isso é demonstrado pela grande vantagem em eficiência energética já visível em algumas."

"O gerenciamento de mix também pode contribuir para o atingimento das metas, com a concentração de produtos menos eficientes para vendas a varejo antes do período de mensuração e sua redução durante os 12 meses de medição. Como medida extrema, alguns produtos estão saindo de linha, pois a evolução traria investimentos não amortizáveis pelos volumes comercializados."

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