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Anfavea apela por mais tarifas aos importados; Abeifa defende regras atuais

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

06 de março de 2025 · 3 min de leitura

A chegada de mais um navio da BYD com 5.524 carros elétricos e híbridos plug-in ao Brasil provocou nova reação da Anfavea. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) fez mais um apelo – que tem se tornando corriqueiro – para que o governo mude as regras do setor e aumente as tarifas de importação para 35% imediatamente.

Os carros trazidos pela BYD pagam atualmente 18% (elétricos) e 20% (híbridos plug-in). Nenhuma montadora fabrica esses carros no Brasil. Por isso, a Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) defende a permanência das regras atuais para que os consumidores tenham opção de escolha. Há ainda alíquota de 25% para carros híbridos HEV.

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“Nenhum país do mundo, com indústria automotiva instalada, tem uma barreira tão baixa para as importações, o que torna o nosso importante mercado um alvo fácil, especialmente para modelos que estão sendo barrados por grandes alíquotas na América do Norte e na Europa”, disse a Anfavea em comunicado à imprensa.

“Medidas protecionistas ou barreiras alfandegárias artificiais são ineficazes. A médio e longo prazos, são prejudiciais a toda a cadeia automotiva. Mas em especial ao Brasil”, rebateu a Abeifa, por meio de seu presidente Marcelo Godoy. “A indústria local deveria se preocupar em aumentar suas exportações, ao agregar mais tecnologias e produtividade, em lugar de restringir as importações, que tanto contribuem para o desenvolvimento do país.”

A Anfavea argumenta que “sem um equilíbrio saudável na balança comercial, essa indústria que gera mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos estará sob forte ameaça”. E completa: “Apoiamos, sim, a chegada de novas marcas ao Brasil, para produzir, fomentar o setor de autopeças, gerar empregos e trazer novas tecnologias. O que vemos, entretanto, são anúncios sucessivos de adiamento dos prazos de início de produção no país”.

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Na visão da Abeifa, “o comércio internacional do setor automobilístico exige previsibilidade”. Marcelo Godoy acrescenta: “Em julho deste ano, as alíquotas vão subir, respectivamente, para 25%, 28% e 30%. Nossas associadas já contam com essa previsibilidade, o que é muito salutar. É relevante ressaltar que é imprescindível respeitar os clientes/consumidores brasileiros, que têm o direito ao acesso e a escolha por tecnologias de ponta”.

As duas entidades procuram impor a narrativa que convença os formadores de opinião e, principalmente, o governo brasileiro. 

“A indústria automotiva brasileira vem num ritmo de recuperação, após uma década de crises econômicas, somadas aos efeitos da pandemia. No ano passado, foram anunciados mais de R$ 180 bilhões em investimentos dos fabricantes de veículos e autopeças, boa parte para o desenvolvimento de modelos eletrificados. E nosso setor ainda terá, por conta do Programa Mover – Mobilidade Verde e Inovação – de investir R$ 60 bilhões em P&D (Produto e Desenvolvimento)”, disse a Anfavea.

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A Abeifa recorre ao histórico do setor: “A entidade reforça o argumento de que políticas protecionistas não trazem benefícios ao Brasil, ressaltando que nos anos 1990, não fossem a abertura do mercado interno para veículos importados, o país não teria o parque industrial de hoje com algumas dezenas de fabricantes”. 

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