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Trump é contra carros elétricos, mas quer montadoras chinesas

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

20 de julho de 2024 · 3 min de leitura

Os carros chineses voltaram ao topo dos temas que dividem Donald Trump e Joe Biden, que disputam a eleição presidencial dos Estados Unidos. Recentemente, Trump disse que vai abandonar o “mandato de veículos elétricos” para “salvar a indústria automobilística dos EUA da completa destruição”. Agora diz que quer as montadoras chinesas fabricando esses carros nos Estados Unidos.

A posição de Trump chamou atenção porque o efeito pode ser o contrário do que supostamente ele deseja: o fim do domínio dos carros elétricos no futuro próximo. A posição de Biden é clara: taxou os importados chineses em mais de 100% e estabeleceu uma meta para que 50% dos veículos americanos sejam elétricos até 2035.

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Trump acredita que abrir o país para as montadoras chinesas fabricarem carros nos EUA vai impulsionar a economia. “Neste momento, enquanto falamos, grandes fábricas [de carros chineses] estão sendo construídas através da fronteira com o México” para vender nos EUA, disse Trump num discursoem Milwaukee, na última quinta-feira, 18.

Se as montadoras chinesas não aceitarem o “convite”, Trump promete impor tarifas de até 200% para os carros chineses fabricados no México. O ex-presidente prometeu “trazer de volta a fabricação de automóveis” e “trazê-la de volta rapidamente”, segundo o Automotive News.

Se for eleito em novembro, Trump também prometeu novamente abandonar o que chamou de “mandatos de veículos elétricos”, sugerindo que tal medida salvaria “a indústria automobilística dos EUA da completa destruição”.

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Por outro lado, Trump faz campanha aberta contra os carros elétricos. Ele disse que vai reverter as políticas climáticas de Biden, desconsiderando as metas de emissão de CO2, e também pretende reduzir drasticamente os créditos fiscais para veículos elétricos.

Porém, para analistas dos Estados Unidos, até mesmo simpatizantes do Partido Republicano já aderiram aos carros elétricos. O panorama mudou muito de 2016, ano da eleição de Trump, para 2024. Segundo o Gizmodo, o mercado interno de veículos elétricos a bateria passou de 159 mil naquele ano para 1,5 milhão neste ano.

O mercado já estaria num ponto de não retorno, apesar da redução nas estimativas das montadoras. Além disso, a produção de BEVs tem impulsionado o emprego e o investimento no sul do país e até estados como o Texas (o mais fechado para as novas energias) começam a aderir aos carros elétricos.

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William Clay Ford Jr., presidente executivo da Ford, disse ao jornal The New York Times: “Nosso prazo como empresa, nosso prazo de planejamento, é muito mais longo do que os ciclos eleitorais”.

Como a indústria automotiva e toda a cadeira em torno dela já fez investimentos bilionários, é improvável que Trump consiga parar o avanço do mercado de elétricos. E não são apenas as marcas americanas. A Hyundai, por exemplo, está investindo US$ 13 bilhões na produção de carros elétricos na Geórgia, onde Trump perdeu na votação de 2020.

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