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Tirem as calotas, mas baixem os preços dos carros!

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

03 de novembro de 2024 · 5 min de leitura

Tirem as calotas, mas baixem os preços dos carros!

Tirem as calotas, mas baixem os preços dos carros! Eis o grito de guerra que deveria estar saindo da garganta dos consumidores de automóveis no Brasil. Quatro importantes fabricantes estão com a produção paralisada por falta de clientes e escassez de componentes eletrônicos: Stellantis, General Motors, Volkswagen e Hyundai.

São “apenas” as quatro montadoras que mais produzem. Assim como as demais, não citadas, esses fabricantes se recusam a baixar os preços dos carros. Não o farão. Recentemente, um dos especialistas em indústria da Bright Consulting, Cássio Pagliarini, prevendo o ano de 2023, disse que os preços não iriam baixar, mas que haveria promoções. Preço de lista não cai, é a regra da indústria.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

Mas deveria. Afinal, não é o mercado que regula o preço da mercadoria? Se os carros estão caros, se o crédito é escasso (com taxas de juros indecentes) e se os consumidores sumiram, por que não baixar os preços dos automóveis?

Não é possível, dirá a indústria, em coro, apontando para as novas imposições de eficiência energética, emissões de CO2 e itens de segurança. Para além disso, porém não menos importante, está a exigência do consumidor brasileiro, que adora um mimo no automóvel.

Mas há ainda outro elemento: o lucro das montadoras no Brasil. Eu não ficaria admirado se o Brasil estiver contribuindo de forma importante com o financiamento das novas tecnologias de carros elétricos na Europa. O lucro daqui moderniza os carros de lá.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

Mas o consumidor também tem sua parcela de culpa. Primeiro porque valoriza mais a aparência do que os aspectos técnicos. Quer também uma infinidade de mimos que acabam levando os preços dos automóveis às alturas.

Por exemplo: qual é o problema de vender um carro com rodas de aço e sem calotas? Esse é apenas um dos itens que poderiam estar na lista de opcionais ou de acessórios. Fiz uma pesquisa com os dois automóveis “mais baratos” do Brasil, o Renault Kwid e o Fiat Mobi. Ambos custam mais de R$ 68.000. Mas vejam a lista de itens supérfluos (ou que poderiam ser opcionais) que as duas montadoras (Renault e Fiat) colocam nesses carros.

Renault Kwid Zen

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Abertura interna do porta-malas?

Ar-condicionado?

Rádio Continental 2DIN (Bluetooth, USB, AUX)?

Sistema CAR – Travamento automático a 6 km/h?

GAC Aion UT

Monitoramento da pressão dos pneus (TPMS)?

Controle eletrônico de estabilidade (ESP) com auxílio de partida em rampa (HSA)?

Luzes de circulação diurna em LED (DRL)?

Direção elétrica?

Sistema Start&Stop?

Indicador de troca de marcha?

Calota 14" Dark Antracite?

Fiat Mobi

TPMS (sensor de pressão dos pneus)

Vidros one touch e anti esmagamento)

Check quadro de instrumentos (Welcome Moving)

Calotas integrais 

Grade dianteira texturizada

Revestimento externo nas colunas B e C das portas

Molduras nas caixas de roda.

Ar condicionado

Para-choques na cor do veículo

Espelho no para-sol lados motorista e passageiro

Parachoques exclusivos

Porta malas com tapete em carpete

Faróis com máscara negra

Limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro

Lane Change (Função auxiliar para acionamento das setas indicando trocas de faixa)

ESS (Sinalização de frenagem de emergência)

Quadro de instrumentos com Iluminação a LED e display digital de 3,5 polegadas (Conta-giros, indicador de trocas de marchas, odômetro parcial e total, relógio digital, indicação do nível de combustível e temperatura do motor)

Chave desmodrômica com Fiat code 2ª geração

Vejam bem: estamos falando de carros de entrada! Será que um carro de entrada, básico para uso no dia-a-dia, precisa ter monitoramento de pressão dos pneus, assistente de partida em rampa, sinalização de frenagem de emergência e chave desmodrômica? Esses são apenas alguns exemplos.

Basicamente, o que estou propondo é que tanto a indústria quanto os consumidores revejam seus conceitos. Sim, que tal a volta do carro pé-de-boi? Qual é o problema de colocar a chave no buraco da ignição? Sinceramente, não cai a mão de ninguém, mas quase todos os automóveis hoje têm partida por botão.

Os consumidores de automóveis precisam saber que luxo custa caro. Para a indústria, está tudo muito bom, está tudo muito bem. Os carros serão vendidos com margens altas. As montadoras (todas) simplesmente abriram mão da classe média. É mais fácil produzir menos e lucrar mais. Vamos ver se alguma marca toma a iniciativa de propor algo diferente para virar esse jogo ou se vamos viver de promoções esporádicas.

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