Indústria
Navios cheios de carros mostram a diferença gritante entre a Volkswagen e a BYD
Os navios que transportam carros da Volkswagen e da BYD pelos mares merecem reflexão, mas não se trata de eliminar uma marca do jogo

Volkswagen do Brasil já exportou 4,4 milhões de carros (Divulgação VW)
Navios cheios de carros se tornaram argumentos fortes para as montadoras desde que a chinesa BYD chegou ao Brasil. Afinal, não é toda hora que você vê um navio com 5.000 ou 7.000 carros chegando da China. Mas há outro tipo de navio que de vez em quando fica em evidência: os navios que saem do Brasil carregando os carros produzidos pela Volkswagen no território nacional. Os volumes são diferentes, mas a diferença de conceito é gritante.
Enquanto a BYD importa carros, a Volkswagen exporta carros. É verdade também que a montadora chinesa está no início de sua operação no país e que está trazendo tecnologias inéditas: carros elétricos e híbridos plug-in. Mas também é verdade que a Volkswagen do Brasil exporta atualmente para 25 mercados internacionais.
São 19 países na América Latina (Argentina, Aruba, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Curaçao, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, St. Maarten, Uruguai e Venezuela) e 6 países da África (Ruanda, Gana, Costa do Marfim, Senegal, Madagascar e Camarões).
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Volkswagen já exportou 4,4 milhões de carros feitos no Brasil
• A Volkswagen é a maior exportadora do setor automotivo brasileiro, com mais de 4,4 milhões de unidades embarcadas para 147 mercados, desde 1970.
• Em 2026 (jan-jul), a Volkswagen do Brasil teve crescimento expressivo de exportações para alguns de seus principais mercados: México (+15%), Colômbia (+26%) e Uruguai (+30%).
• O crossover Tera é o modelo mais exportado pela Volkswagen do Brasil neste ano. De janeiro a julho deste ano, 21.404 unidades do Tera foram embarcadas para 17 mercados da América Latina. Depois vem a Saveiro, com 13.535 unidades embarcadas para 15 mercados da América Latina.

O que se espera da BYD e da Volkswagen no futuro próximo
Só em 2026, a Volkswagen do Brasil já exportou 60 mil carros — e isso prova que a indústria estabelecida no país tem caspacidade e qualidade. “Alcançar 60.000 unidades exportadas neste ano, em um cenário altamente desafiador, demonstra a competitividade da Volkswagen do Brasil e a confiança dos mercados internacionais em nossos produtos”, comentou Hendrik Muth, vice-presidente de Vendas e Marketing da Volkswagen América do Sul.
Esses fatos, tão diferentes, não significam que a BYD vai destruir a indústria nacional. Significa que, ao mesmo tempo em que são dadas as condições para as montadoras chinesas se estabelecerem no mercado, é preciso criar as condições para que as montadoras tradicionais, que estão há mais tempo no país, não saiam do jogo.
Do lado da BYD, espera-se que aumente rapidamente a produção nacional — o que ocorrerá nos próximos meses, segundo seu vice-presidente, Alexandre Baldy — e que passe também a exportar. Afinal, a capacidade da fábrica chinesa em Camaçari, na Bahia, será de 600 mil veículos por ano.

Do lado da Volkswagen, espera-se que deixe de ver o Brasil apenas como uma região de carros com tecnologia de propulsão ultrapassada, eternamente carente e empurrões governamentais, e que transforme a fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo, num hub de alta tecnologia, como a empresa tem na Alemanha e na China.
Os navios da BYD e da Volkswagen dizem muita coisa. De maneiras diferentes, eles mostram a capacidade do Brasil de produzir comprar e vender. Não devem ser usados como argumento de defesa da indústria nacional, pois tanto a Volkswagen como a BYD são empresas transnacionais, que servem inicialmente aos interesses da Alemanha e da China, e depois do Brasil. Que um dia os navios da BYD sejam como os da Volks — exportando carros, e não apenas importando.

















