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Navios cheios de carros mostram a diferença gritante entre a Volkswagen e a BYD

Os navios que transportam carros da Volkswagen e da BYD pelos mares merecem reflexão, mas não se trata de eliminar uma marca do jogo

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

19 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

Navios cheios de carros mostram a diferença gritante entre a Volkswagen e a BYD

Navios cheios de carros se tornaram argumentos fortes para as montadoras desde que a chinesa BYD chegou ao Brasil. Afinal, não é toda hora que você vê um navio com 5.000 ou 7.000 carros chegando da China. Mas há outro tipo de navio que de vez em quando fica em evidência: os navios que saem do Brasil carregando os carros produzidos pela Volkswagen no território nacional. Os volumes são diferentes, mas a diferença de conceito é gritante.

Enquanto a BYD importa carros, a Volkswagen exporta carros. É verdade também que a montadora chinesa está no início de sua operação no país e que está trazendo tecnologias inéditas: carros elétricos e híbridos plug-in. Mas também é verdade que a Volkswagen do Brasil exporta atualmente para 25 mercados internacionais.

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São 19 países na América Latina (Argentina, Aruba, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Curaçao, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, St. Maarten, Uruguai e Venezuela) e 6 países da África (Ruanda, Gana, Costa do Marfim, Senegal, Madagascar e Camarões).

Volkswagen já exportou 4,4 milhões de carros feitos no Brasil

• A Volkswagen é a maior exportadora do setor automotivo brasileiro, com mais de 4,4 milhões de unidades embarcadas para 147 mercados, desde 1970.

• Em 2026 (jan-jul), a Volkswagen do Brasil teve crescimento expressivo de exportações para alguns de seus principais mercados: México (+15%), Colômbia (+26%) e Uruguai (+30%). 

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• O crossover Tera é o modelo mais exportado pela Volkswagen do Brasil neste ano. De janeiro a julho deste ano, 21.404 unidades do Tera foram embarcadas para 17 mercados da América Latina. Depois vem a Saveiro, com 13.535 unidades embarcadas para 15 mercados da América Latina.

Volkswagen Tera é o campeão das exportações em 2026 (Divulgação VW)

O que se espera da BYD e da Volkswagen no futuro próximo

Só em 2026, a Volkswagen do Brasil já exportou 60 mil carros — e isso prova que a indústria estabelecida no país tem caspacidade e qualidade. “Alcançar 60.000 unidades exportadas neste ano, em um cenário altamente desafiador, demonstra a competitividade da Volkswagen do Brasil e a confiança dos mercados internacionais em nossos produtos”, comentou Hendrik Muth, vice-presidente de Vendas e Marketing da Volkswagen América do Sul.

Esses fatos, tão diferentes, não significam que a BYD vai destruir a indústria nacional. Significa que, ao mesmo tempo em que são dadas as condições para as montadoras chinesas se estabelecerem no mercado, é preciso criar as condições para que as montadoras tradicionais, que estão há mais tempo no país, não saiam do jogo.

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Do lado da BYD, espera-se que aumente rapidamente a produção nacional — o que ocorrerá nos próximos meses, segundo seu vice-presidente, Alexandre Baldy — e que passe também a exportar. Afinal, a capacidade da fábrica chinesa em Camaçari, na Bahia, será de 600 mil veículos por ano.

Navio Explorar No. 1 da BYD: logística impressionante, mas só de importação (Divulgação BYD)

Do lado da Volkswagen, espera-se que deixe de ver o Brasil apenas como uma região de carros com tecnologia de propulsão ultrapassada, eternamente carente e empurrões governamentais, e que transforme a fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo, num hub de alta tecnologia, como a empresa tem na Alemanha e na China.

Os navios da BYD e da Volkswagen dizem muita coisa. De maneiras diferentes, eles mostram a capacidade do Brasil de produzir comprar e vender. Não devem ser usados como argumento de defesa da indústria nacional, pois tanto a Volkswagen como a BYD são empresas transnacionais, que servem inicialmente aos interesses da Alemanha e da China, e depois do Brasil. Que um dia os navios da BYD sejam como os da Volks — exportando carros, e não apenas importando.

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