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Fenabrave precisa criar categoria de híbridos e elétricos

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

09 de janeiro de 2021 · 5 min de leitura

Fenabrave precisa criar categoria de híbridos e elétricos

Tenho grande apreço pela Fenabrave e pelo serviço de monitoramento que a entidade faz do mercado de carros no Brasil. Seu informe diário de vendas é bastante relevante para a indústria, comércio e mídia do setor. Entretanto, é preciso atualizar o ranking urgentemente. Acredito que caberia à Anfavea e à Abeifa, entidades que representam as montadoras e importadoras de veículos, pedir uma atualização do ranking à Fenabrave.

Os números do ranking da Fenabrave são atualizados mensalmente, porém as categorias não fazem mais sentido. A última vez que o ranking mudou foi em meados da década passada, quando os SUVs passaram a integrar os automóveis de passeio e não os comerciais leves. Porém, com apenas uma categoria. Atualmente, todos os SUVs do mercado estão empilhados numa única categoria. 

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

Para dar uma ideia, apenas os 40 modelos mais vendidos aparecem no ranking de SUVs, embora o mercado tenha muito mais do que isso. O que ocorre, portanto, é uma distorção. A porcentagem de vendas atribuída pela Fenabrave ao líder dos SUVs não corresponde à realidade, pois considera apenas os 40 modelos mais vendidos. Isso vale também para o ranking de marcas, pois só considera as 21 mais vendidas.

Jeep Compass: participação de mercado distorcida.
Jeep Compass: participação de mercado distorcida.

Por outro lado, categorias praticamente extintas continuam aparecendo de forma separada. Fiz um estudo do ranking (Julho 2021) e cheguei à conclusão de que apenas 11 carros efetivamente vendidos atualmente formam 5 categorias do ranking da Fenabrave: Veículos de Entrada (4 carros), Sw Médios (0), Sw Grandes (2), Monocab (3) e Grandcab (2).

Se considerarmos os volumes de venda, a situação é ainda pior: 7 categorias do ranking da Fenabrave representam apenas 3,38% das vendas, segundo a própria entidade. São elas: Hatch Médios (0,37%), Sedans Grandes (0,48%), Sw Médios (0,04%), Sw Grandes (0,01%), Monocab (1,19%), Grandcab (1,12%) e Sports (0,17%). Portanto, essas 7 categorias que representam apenas 3,38% das vendas ocupam 53,84% do ranking, enquanto as 6 categorias que representam 96,62% das vendas têm apenas 46,16%.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

Claro que devemos ter categorias com poucos carros! Não se trata disso, mas sim de criar novas categorias e — por que não? — agrupar algumas que não têm mais sentido continuarem separadas. Por exemplo: onde estão os carros híbridos e elétricos? Será que não é hora de a Fenabrave, a Anfavea e a Abeifa criarem um ranking de modelos para carros híbridos e elétricos? Essas entidades reclamam que o governo não oferece condições para este mercado se desenvolver, mas elas também não mostram que mercado é este. Afinal, ele existe? Representa quanto nas vendas? Quem lidera? Quais são as marcas e modelos presentes? E por que precisamos de 4 categorias para station wagons e monovolumes? 

Chevrolet Bolt: não existe categoria para elétricos.
Chevrolet Bolt: não existe categoria para elétricos.

Na tabela abaixo, fiz um levantamento de todas as categorias (vale também uma revisão nos nomes, pois não há padrão básico da gramática). O quadro mostra quantos carros são efetivamente vendidos (Julho 2021) e quantos aparecem no ranking, mas já saíram de linha.

RANKING FENABRAVE
CATEGORIA CARROS
À VENDA
FORA DE
LINHA
VENDAS
ATÉ JUL.
PART.
Veículos
de Entrada
4 5 140.067 15,10%
Hatch Pequenos 9 3 217.844 23,48%
Hatch Médios 5 1 1.403 0,37%
Sedans Pequenos 6 4 65.422 7,05%
Sedans Compactos 6 0 63.989 6,90%
Sedans Médios 17 4 43.107 4,65%
Sedans Grandes 12 0 4.952 0,48%
Sw Médios 0 4 13 0,04%*
Sw Grandes 2 2 106 0,01%
Monocab  3 3 8.636 1,19%
Grandcab 2 2 9.228 1,12%
Sports 9 0 2.109 0,17%
Suv's 40 0 370.547 39,94%
Pick'up's Pequenas 2 4 89.558 42,70%
Pick'up's Grandes 11 0 120.142 57,30%

Como se vê acima, até a categoria Veículos de Entrada precisa ser revista. Alguns modelos que aparecem nela deveriam estar na categoria Hatch Pequenos (deveria se chamar Hatches Pequenos ou Hatch Pequeno, em respeito à língua portuguesa). Ou então deixar nesta categoria apenas os Subcompactos (Fiat Mobi, Renault Kwid, Volkswagen Up etc.). 

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Fiat 500e: elétrico chegando.
Fiat 500e: elétrico chegando.

Da mesma forma, nas picapes, há apenas duas categorias: Pick-up’s Pequenas e Pick-up’s Grandes. Outra situação que deveria ser revista pela Fenabrave, em conjunto com as montadoras, pois as picapes Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger, por exemplo, não são grandes e sim médias. Grandes são a Ram 1500, Ram 2500, Ford F-150, Ford F-250 etc.

Que dizer então das picapes Fiat Toro e Renault Duster Oroch? Ambas aparecem como grandes, mas são derivadas de SUVs compactos. Portanto, também entre as picapes, temos um ranking que não reflete a realidade do mercado. E vai piorar, pois em breve chegarão modelos como a Ford Maverick e a nova Chevrolet Montana, que deveriam estar em alguma categoria intermediária. Sugestão: Pick-ups Pequenas, Pick-ups Compactas, Pick-ups Médias e Pick-ups Grandes. 

Renault Oroch: picape grande?
Renault Oroch: picape grande?

A virada do próximo ano pode ser um bom momento para a Fenabrave estrear um ranking atualizado e seguir ajudando todo o setor com a divulgação dos números do mercado. Faço esta análise como uma crítica construtiva para a Fenabrave, a Anfavea, a Abeifa e as marcas de carros, pois somente com um retrato fiel do que ocorre no mercado podemos entender os desejos dos consumidores e sugerir ações que mantenham o setor automotivo saudável, transparente e socialmente relevante.

GAC Aion UT

*Inclui outras categorias não citadas pela Fenabrave.

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