Guia do Carro
GAC Aion UT
Ranking →Fiat Strada+16,0%Volkswagen Polo+5,9%BYD Dolphin Mini+13,1%Volkswagen T-Cross+37,0%Volkswagen Tera-15,6%Fiat Argo-2,4%Fiat Pulse+49,7%Chevrolet Onix-6,6%Haval H60,0%Fiat Mobi+14,5%

Arquivo Terra

Abeifa, 30 anos, uma “mini Anfavea” que trouxe tecnologias

Abeifa, 30 anos, uma “mini Anfavea” que trouxe tecnologias

Criada no início de 1991 como Abeiva, associação de importadores de veículos, a Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) completou 30 anos no dia 15 de março e tem seu maior foco nos veículos híbridos e elétricos. O resultado tem sido bom, especialmente devido às vendas da Volvo e da Porsche, que estão mais focadas na eletrificação.

Mas, devido à crise econômica, à pandemia e aos altíssimos custos de importação, a Abeifa vê as vendas de veículos importados caírem dramaticamente. Em 2020, foram apenas 27.421 veículos importados. A previsão para este ano é de 27.000. Estes números são menores do que o volume que a associação fez em 2008, por exemplo, quando emplacou 30.529 veículos.

CAOA Chery Novo Tiggo 9

Por outro lado, a participação de carros nacionais é cada vez maior dentro da associação. Duas associadas, Caoa Chery (+70%) e BMW (+30%) apresentaram números bastante positivos no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o primeiro trimestre de 2020. O resultado é que a Abeifa acabou se tornando uma mini-Anfavea, com quase metade das vendas oriundas de carros nacionais. Dos 5.887 carros emplacados em março, 2.159 foram importados e 3.728 foram de produção nacional.

Trata-se de uma vitória da associação, que transformou alguns importadores em fabricantes. Mas poderia ser melhor se uma de suas principais demandas fossem atendidas: reduzir a alíquota de importação de 35% para 20%, para ficar alinhada com o Mercosul. A queda de participação dos importados também tem a ver com o câmbio desfavorável. Segundo João Henrique Oliveira, presidente da Abeifa, a maioria das marcas trabalha com o dólar cotado a R$ 5,50. “É uma situação muito desconfortável”, disse.

O resultado disso é que muitos carros deixam de ser importados e ficam os mais caros. Isso explica, em parte, os sucessivos recordes de venda de carros caríssimos de marcas como Porsche e Audi (que não é associada).  "O consumidor deste segmento olha para o futuro da moeda e procura antecipar suas compras", disse Oliveira. "Ele já decidiu pela compra e não cogita voltar para um produto que não seja daquele nível."

CAOA Chery Novo Tiggo 9
João Henrique Oliveira, presidente da Abeifa: associação completou 30 anos.
João Henrique Oliveira, presidente da Abeifa: associação completou 30 anos.

Durante as eleições presidenciais de 1989, uma das bandeiras de Fernando Collor de Mello era a abertura do mercado brasileiro ao mundo. Naquele ano, alguns empresários brasileiros foram negociar a representação de marcas de automóveis — empresários como Eduardo de Souza Ramos (Mitsubishi), Reginaldo Regino (BMW), Grupo Souza Aranha (Citroën) e Martin Rodin (Lada/Subaru) — com o executivo Emílio Julianelli à frente, iniciaram o movimento de importação de autoveículos para o mercado brasileiro.

Foram esses empresários que fundaram a então Abeiva em 15 de março de 1991, embora já tivessem iniciado a importação e comercialização em 1990. O primeiro modelo importado a chegar no Brasil foi um BMW, em maio daquele ano. De 1991 a 1993, a Abeiva conseguiu reunir em seus quadros 32 marcas. Vale destacar que duas ou três delas nunca chegaram a atuar no Brasil, mas se filiaram à entidade.

Nos primeiros cinco anos, até 1996, os importadores trouxeram várias tecnologias, a eletrônica embarcada, freios ABS, mas especialmente design inovador; até então o consumidor brasileiro conhecia apenas os modelos da Fiat, Ford, Chevrolet, Toyota (só o modelo Bandeirante) e Volkswagen.

Os importadores passaram a trazer os Mitsubishi L200 (até hoje), Diamond, Lancer, Eclipse, o BMW 325, o Subaru Legacy e o Lada Niva, entre outros. A Abeiva recebeu, na sequência, as marcas sul-coreanas Asia, Kia, Hyundai, Daewoo, Ssangyong; as japonesas Toyota, Honda, Daihatsu, Mazda; as francesas Peugeot e Renault. Houve de fato uma revolução no setor automotivo brasileiro: com apenas quatro montadoras, o portfólio de produtos contava com cerca de 55 versões de carros no país. Com a chegada dos importados, esse universo cresceu para quase 300 versões disponíveis no mercado brasileiro.

Dez anos depois, já nos anos 2000, o mercado brasileiro passou a ter mais de 2.000 versões disponíveis. Por esse motivo, considera-se que, de 1991 a 1996, os importados viveram a “primeira onda” do setor. A partir de 1996, com a inauguração da fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG), iniciou-se a “segunda onda”, ou seja, de importadores, as associadas da Abeiva passaram a ser montadoras. 

BMW Série 3: um dos primeiros carros importados da "primeira onda", é fabricado no Brasil.
BMW Série 3: um dos primeiros carros importados da "primeira onda", é fabricado no Brasil.

Na sequência, marcas como Honda, Toyota, Citroën, Peugeot, Renault, Mitsubishi, Suzuki, Audi, BMW, Jaguar Land Rover, entre outras, passaram a se constituir em fábricas. As primeiras marcas chinesas chegaram ao Brasil em 2006. Elas se apresentaram no Salão de São Paulo. Chegaram Chery, Hafei, Lifan, Jimbei, JAC e Geely, entre outras.

Dança das alíquotas – No início do segundo semestre de 1993, o então ministro da Fazenda, Ciro Gomes, inconformado com a alíquota do imposto de importação de 70%, reduziu para 20%. Naquele momento, os importadores – ainda tímidos em se tratando de volumes – estavam sem estoque para aproveitar a redução do imposto. Empresas como a Suzuki, então, fizeram grandes pedidos.

GAC Aion UT

No entanto, em março de 1994, a substituta de Ciro Gomes, a ministra Dorothea Werneck, subiu o imposto de importação de 20% para 35% e, na sequência, para 70%. Naquele momento, os importadores haviam feito grandes encomendas no Exterior, cujas  unidades ficaram literalmente “encalhadas”.

Em 1996, porém, a própria ministra Dorothea Werneck aceitou o sistema de cotas tarifárias até o volume de 50.000 unidades com alíquota de 35%; acima desse volume, as marcas recolheriam 70%; o sistema de cotas foi dividido entre as associadas, de acordo com o histórico de vendas dos três anos anteriores a 1996.

Como a Lada foi destruída pelas montadoras nos anos 90

Com o fim do sistema de cotas tarifárias, a alíquota do imposto de importação ficou em 35%, independente de volumes, o que teria de ter permanecido até 31 de dezembro de 1999. No dia 1º de janeiro de 2000, o imposto de importação deveria ter caído a 20%, taxa equivalente à TEC do Mercosul; mas o acordo bilateral Brasil-Argentina aniquilou os pleitos dos importadores.

De qualquer forma, de 2000 a 2011, as associadas à Abeiva/Abeifa, mesmo com a alíquota de II de 35%, conseguiram se recuperar. Em 2011, a Abeifa chegou a representar 5,89% do mercado interno, com cerca de 199 mil unidades comercializadas.

Mas, com a instituição do programa Inovar-Auto, os importadores amargaram os 30 pontos percentuais no IPI. Pouco mais tarde, o governo federal aceitou a sugestão de se recolher as taxas de 7%, 11%, 13%, 18% e 25%, sem os 30 p.p., mas até a cota máxima de 4.800 unidades.

A “terceira onda” da contribuição das associadas à Abeifa acontece atualmente, com os veículos importados na eletrificação veicular, em especial na categoria de “veículos premium”. Em 2019, o Brasil comercializou cerca de 12 mil veículos eletrificados, entre nacionais e importados; no ano passado, foram quase 20 mil unidades; e no primeiro trimestre de 2021, já foram licenciados mais de 4.500 unidades.

Compartilhar

Últimas Notícias

Arquivo Histórico

Você também pode gostar

Comentários

Para comentar, acesse o artigo original:

Deixar um comentário