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Espanha, 1981: a última glória de Gilles Villeneuve

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

05 de agosto de 2021 · 6 min de leitura

Espanha, 1981: a última glória de Gilles Villeneuve

É o fim de semana do GP da Espanha de Fórmula 1, e como gostamos de datas redondas, vale recordar os 40 anos de uma prova memorável e que marcou a última vitória de um dos pilotos mais admirados da categoria, o canadense Gilles Villeneuve.

O circo da velocidade chegou em Jarama para disputar a sétima etapa da temporada de 1981, o GP da Espanha, no dia 21 de junho. Até então, o domínio era das Williams, que haviam vencido metade das provas disputadas (uma com Alan Jones e duas com Carlos Reutemann). Quem tentava entrar na briga era Nelson Piquet, vencedor dos GPs da Argentina e de San Marino, e que chegava “mordido” para a prova na Espanha, após perder a chance de triunfar na etapa anterior, em Mônaco.

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Correndo por fora, despontava Gilles Villeneuve com uma Ferrari um tanto quanto paradoxal. Depois de praguejar contra as soluções aerodinâmicas usadas pelas equipes inglesas e contra os motores turbo, os italianos se renderam, e apostaram em um propulsor V6 sobrealimentado e um projeto que poderia ser considerado o primeiro carro com “efeito solo” do time, o 126C.

Muitos consideravam o conjunto da Ferrari 126C mal resolvido em relação aos rivais, e o início da temporada foi bem complicado. Mas a vitória de Villeneuve em Mônaco, em um circuito onde os motores turboalimentados costumavam sofrer com a demora nas respostas durante as retomadas – o chamado “turbo leg” – chamou a atenção. Mesmo assim, o bom desempenho foi considerado um ponto fora da curva.

Voltando a Jarama, os 24 carros alinharam para disputar as 80 voltas daquela prova diante de um público bem reduzido. Embora o tempo estivesse firme, os ingressos custavam caro e ainda havia uma ameaça de atentado do grupo separatista basco ETA, o que fez a polícia restringir o acesso ao autódromo. Mesmo assim, o Rei Juan Carlos esteve presente, mantendo a tradição no GP espanhol.

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Jacques Laffite alinhou sua Ligier Matra na pole position, tendo Alan Jones da Williams ao seu lado. O líder do campeonato, Carlos Reutemann vinha logo atrás, com John Watson, da McLaren, na 4ª posição (o revolucionário MP4/1, o primeiro carro da categoria com chassi feito de fibra de carbono e kevlar, começava a mostrar seus primeiros resultados). O primeiro carro de motor turbo era a Renault de Alain Prost, na 5ª posição. Nelson Piquet e sua Brabham ocupavam a 9ª posição.

Laffite largou muito mal e a dupla Jones-Reutemann (nessa ordem) passou a liderar a prova. O grande salto foi de Villeneuve, que disparou da 7ª colocação no grid e já surgia em terceiro logo na primeira curva! E dando mostras do seu arrojo, logo superou Reutemann, ultrapassando o argentino por fora no final da reta principal logo no início da segunda volta.

O traçado apertado do circuito espanhol, teoricamente, não permitiria grandes emoções. Mas foi justamente essa característica que acabou ocasionando o grande barato da corrida. E o imponderável começou a aparecer.

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Liderando com tranquilidade, Alan Jones errou na curva Ascari na 14ª volta e foi parar fora da pista. Mesmo com toda a raiva do australiano, os comissários da pista demoraram a reconduzi-lo de volta à corrida (manobra permitida na época). Quando finalmente retornou, Jones era apenas o 16º colocado. E Villeneuve assumiu a liderança.

A partir de então, o que se viu foi uma daquelas sequências que se convencionou chamar de defesa de posição. Jarama era um “kartódromo anabolizado” e assim, Villeneuve conseguia se manter à frente com sua Ferrari no principal ponto de ultrapassagem da pista, no fim da reta dos boxes. 

Mas, por conta da degradação dos pneus, o canadense foi obrigado a diminuir o ritmo, o que acabou provocando uma fila na sequência. Reutemann, Watson, Prost… e Laffite, que havia despencado para a 16ª posição após a péssima largada e vinha com ótima recuperação.

Reutemann não conseguia superar Villeneuve, embora tivesse um carro bem mais equilibrado que o do rival. A diferença ficava por conta do motor V6 turbo da Ferrari, que permitia maior velocidade do que o Ford Cosworth V8 (de aspiração natural) da Williams de “El Lole” – apelido do argentino. Além disso, o canadense exibia uma pilotagem perfeita, contrariando aqueles que o viam como um piloto estabanado e afoito.

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Faltando 20 voltas para o fim, Laffite completou sua recuperação e se posicionou em terceiro, atrás de Reutemann, e o ultrapassou no final da reta, tal qual Villeneuve havia feito no início da prova. Logo a seguir, o argentino foi ultrapassado por Watson, caindo para a 4ª posição.

O piloto da Ligier nº 26 fez de tudo para coroar sua corrida de superação, mas Villeneuve mostrou talento e habilidade para manter a posição. Enquanto isso, um comboio de cinco carros vinha atrás, já que Elio de Angelis conseguiu se aproximar dos líderes com sua Lotus. O final teve uma daquelas cenas sensacionais da Fórmula 1, com o diretor de prova dando a bandeirada para cinco carros, que chegaram separados por pouco mais de 1 segundo.

Jarama foi o palco da sexta – e última – vitória de Villeneuve na Fórmula 1. Com uma clarividência provavelmente fora do planejamento, o canadense fez uma corrida digna de campeão, título que ele buscou e que teria chance de conquistar no ano seguinte, não fosse o terrível acidente no treino do GP da Bélgica.

Fica aqui nossa lembrança dos momentos em que o canadense encheu os olhos dos fãs com exibições que mesclavam talento com ousadia e que conquistaram um espaço especial nos corações dos apaixonados pela velocidade.

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