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Domenicali, futuro chefão da F1, já enfrenta um dilema

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

11 de julho de 2021 · 3 min de leitura

Domenicali, futuro chefão da F1, já enfrenta um dilema

Originário da Fórmula 1, onde chegou ao invejável posto de chefe de equipe da poderosa Ferrari, Stefano Domenicali foi eleito o chefe da Liberty Media a partir de 2021. Será dele a responsabilidade de definir o futuro da categoria máxima nos próximos anos.

Por seu comportamento impecável à frente da Scuderia Rossa, Domenicali é respeitado e querido por todos nos paddocks. Por sua experiência na administração das enormes dificuldades que já enfrentou, sempre com sucesso, ele é visto como a melhor escolha para suceder o americano Chase Carey, que chegou lá sem conhecimento prévio.

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O desafio maior será dar fim à monotonia das corridas, gerada pela radicalização das soluções aerodinâmicas. Algumas das corridas deste ano mostraram que, sem a enorme aderência de que desfrutam os carros, as disputas podem atrair uma parte do público que perdeu interesse.

O problema é o fato de isso só ter ocorrido por motivos fortuitos. Chuvas intensas ou reasfaltamentos fora de hora reduziram a força com que os carros se agarram às pistas; em alguns casos, chegaram a permitir que se seguissem a curta distância, o que tem sido impossível em condições normais.

A única solução parece ser reduzir a aderência que se extrai atualmente. Isso já está nos planos da FIA, que planeja cortar 10% no ano que vem. Não será suficiente, avisa Gary Anderson, ex-projetista das equipes Jordan e Stewart, hoje analista do site The Race.

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Segundo seus cálculos, a chuva e o óleo que se desprendia do asfalto novo do circuito Istambul Park reduziram à metade a aderência atual. E segue em frente: “Se usarmos em Mônaco a configuração aerodinâmica de Monza, a pressão aerodinâmica cairá em 15%. Se tirarmos todas as aletas laterais, lá se vão mais 15%. Ainda ficarão faltando 20% para se ter em todas corridas o que se teve na Turquia”.

Stefano Domenicali substituirá Chase Carey no comando da F1 a partir de 2021.
Stefano Domenicali substituirá Chase Carey no comando da F1 a partir de 2021.

Mas já diminuiria suficientemente a carga sobre os pneus e permitiria à Pirelli utilizar compostos mais aderentes, o que facilitaria as ultrapassagens. Por outro lado, essa menor pressão deixaria os carros menos equilibrados.

A potência que se atinge hoje varia em torno dos 1.000 cavalos. Sem a pressão aerodinâmica, que os empurra contra o solo, os carros podem levantar voo como aviões desgovernados. 

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Esse é, talvez, o principal problema que Domenicali encontrará. Diminuir a eficiência aerodinâmica já é aceito pelas equipes, desde que seja gradativo. Já reduzir a potência mexe com o interesse das grandes montadoras, que vêem na Fórmula 1 um laboratório a céu aberto. E por isso injetam na categoria a maior parte das verbas de que ela se alimenta.

Sem diminuir a potência, a redução da pressão aerodinâmica é limitadíssima. Manter a situação atual pode reduzir o interesse do público. Nem sempre ocorrerão chuvas intensas nem haverá reasfaltamento recente. Qual será a solução, Domenicali?

 

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