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Corridas virtuais promovem “esquenta” para a Fórmula 1

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

02 de setembro de 2021 · 7 min de leitura

Corridas virtuais promovem “esquenta” para a Fórmula 1

Apesar de a temporada de Fórmula 1 estar prevista para começar no final de março, a categoria não quer deixar seus fãs esperando por tanto tempo. Quem está com saudade de ver os carros na pista, pode aproveitar e conferir as disputas na F1 Esports Virtual Grand Prix, uma série de três eventos que reúnem pilotos e até mesmo outros esportistas dentro do F1 2020, game de corrida da Codemasters.

O entretenimento digital já havia sido relevante quando a pandemia de Covid dominou o mundo e paralisou o calendário do automobilismo no início da temporada passada. Por isso, a categoria estreou em 2020 uma competição em que pilotos, ex-pilotos e outros convidados participaram das corridas virtuais nas mesmas datas em que estavam previstas as competições da F1.

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Até junho, as corridas online foram os únicos eventos automobilísticos que pudemos acompanhar nas transmissões ao vivo pelas redes sociais, misturando um pouco do mundo virtual com o mundo físico. Dos 20 pilotos que estavam no grid da F1 no ano passado, 11 participaram de pelo menos uma etapa. George Russell, Charles Leclerc e Alex Albon, por exemplo, foram os que mais estiveram presentes ao longo da temporada virtual. Incluindo as transmissões ao vivo pelas redes sociais da F1 (Youtube, Facebook e Twitch), as oito corridas foram vistas mais de 30 milhões de vezes em todo o mundo. E com a interação de Twitter, Instagram e canais chineses (Huya e Weibo), esses números sobem para 85 milhões de visualizações. É muita gente de olho!

Apresentação do Virtual GP.
Apresentação do Virtual GP.

Mas, o universo virtual da Fórmula 1 já existe desde 2017 com o surgimento da F1 Esports Series: foram mais de 60 mil pilotos inscritos na primeira temporada e apenas um campeão: Brendon Leight. No ano seguinte, nove equipes da F1 passaram a fazer parte da competição e Leight conquistou o bicampeonato, dessa vez como piloto da Mercedes, que também conquistou o mundial por equipes. Em 2019, quando a Ferrari foi a décima equipe a alinhar no grid virtual, a Red Bull levou para casa o campeonato por equipes, enquanto David Tonizza, da equipe italiana, foi o campeão na temporada de estreia.

Se você ainda não acompanhou as duas primeiras provas de 2021, os grandes prêmios virtuais da Áustria e da Inglaterra, vencidos por Enzo Fittipaldi (Haas) e George Russell (Williams), ainda tem mais uma chance de assistir o evento ao vivo. A última corrida será disputada no circuito de Interlagos, no dia 14 de fevereiro, às 15 horas (horário de Brasília). Ao final dessas três etapas, o prêmio será compartilhado com instituições beneficentes: as equipes poderão escolher para onde o prêmio de 100 mil dólares será destinado, independentemente de terminarem em primeiro ou último lugar na classificação.

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O melhor de tudo é ver nomes como Enzo Fittipaldi competindo pela equipe Haas e George Russell, pela Williams, vencendo as etapas virtuais. O piloto brasileiro, que fez dupla com o irmão Pietro, ganhou a corrida no Red Bull Ring no dia 31 de janeiro, enquanto o britânico conquistou a vitória em Silverstone no dia 7 de fevereiro, após ter sido beneficiado por uma penalidade de Alex Albon. Por enquanto, os resultados colocaram a Haas na liderança com 57 pontos. Em seguida, está a Ferrari Driver Academy Esports com 42 pontos e a Red Bull Racing em terceiro lugar com 39 pontos.

Calendário do Virtual GP.
Calendário do Virtual GP.

Na corrida da Inglaterra, além de Russell, alinharam no grid o companheiro de equipe na vida real, Nicholas Latifi, pela Williams, representando a atual safra de pilotos de F1, assim como Alex Albon, piloto de testes e reserva da Red Bull, que teve como companheiro Liam Lawson, piloto do programa de jovens talentos da equipe austríaca. Pietro Fittipaldi repetiu a parceria da primeira corrida com o irmão Enzo na equipe Haas (que até poderia se chamar Haas-Fittipaldi Brothers, como ambos são conhecidos nas comunidades virtuais dos eSports). Callum Ilott e Robert Shwartzman, membros da Ferrari Driver Academy, representaram o time de Maranello. O ex-piloto Vitantonio Liuzzi correu pela AlphaTauri, ao lado do piloto de motos Luca Salvadori. O goleiro belga Thibaut Courtois e o criador de conteúdo Jack McDermott, também conhecido como ‘The Pie Face’, competiram pela Alfa Romeo. Pela equipe Alpine, os youtubers franceses Lucas Hauchard, conhecido como Squeezie, e Aléthéa Boucq, conhecida como TheAmusante, estrearam no grande prêmio virtual da F1 com a equipe Alpine.

As transmissões são feitas pelas redes sociais da Fórmula 1 no Youtube, Facebook, Twitch, Huya (China) e Weibo (China), além de parceiros de televisão internacionais, incluindo Sky Sports, ESPN, FOX Sports e Ziggo. E o esquema tem produção completa: no estúdio, os apresentadores da Sky Sports Tom Deacon e Natalie Pinkham fazem o pré-corrida com um breve histórico do evento real no ano passado e falam das expectativas para a corrida virtual, além de entrevistar alguns pilotos. Enquanto Matt Gallagher e Alex Jacques, respectivamente, narram e comentam as provas. A primeira corrida, com cinco voltas, é disputada pelos pilotos da F1 Esports Series, e funciona também como uma corrida de qualificação para a segunda prova, que acontece em seguida e que conta com as duplas de pilotos das equipes principais, além de atletas do esporte e outras personalidades. A prova principal tem 50% da distância do grande prêmio real da F1.

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Enzo Fittipaldi no Virtual GP da Áustria.
Enzo Fittipaldi no Virtual GP da Áustria.

A audiência da categoria em 2020 relacionada aos eSports rendeu à Fórmula 1 um ano de considerável sucesso nas plataformas digitais. Foram 11,4 milhões de visualizações ao vivo em todas as plataformas digitais, representando um aumento de 98% em 2019. De acordo com os números divulgados pela categoria, a final do F1 Esports Pro Series que coroou o holandês Jarno Opmeer o campeão da temporada, competindo pela equipe Alfa Romeo, atingiu impressionantes 1,7 milhão de engajamentos nas redes sociais, um recorde histórico para a F1 Esports Series. Isso reforça o sucesso em relação à interação nas redes sociais, com a Pro Series alcançando 291 milhões no total de impressões, um aumento de 151% em relação à temporada de 2019.

Para quem quiser competir, basta ter a versão mais recente do jogo oficial da Fórmula 1 e um Xbox One, Xbox One S, Xbox One X, PS4, PS4 Pro ou PC com Windows com as configurações estabelecidas. Segundo o site da F1 Esports Series, os participantes também precisam de uma assinatura Xbox Live Gold ou assinatura PSN, além, claro, de uma conexão de internet adequada. Depois que a conta for registrada, teoricamente qualquer um pode competir nos cenários de qualificação online, mas caso demonstre que tenha habilidades que se destacam para passar para o próximo nível, o competidor pode ser convidado para o Pro Draft, onde quem se qualifica compete em uma das equipes oficiais da F1 e disputa a temporada da Pro Series, que é o campeonato principal.

Jarno Opmeer, vencedor da F1 Esports.
Jarno Opmeer, vencedor da F1 Esports.

Mesmo que a maioria dos pilotos que competem em nível profissional contem com simuladores para a preparação de suas atividades pré-pista, o futuro dos eSports dentro da Fórmula 1 e em outras categorias do esporte a motor parece cada vez mais promissor. Não apenas pela prática das competições em si, mas porque pode oferecer mais visibilidade às marcas e patrocinadores por meio das transmissões online, além de atrair os competidores que buscam bons prêmios em dinheiro. Afinal, por trás da diversão, o mercado dos eSports segue como um dos mais lucrativos para investidores nos últimos anos, capaz de movimentar cifras bilionárias. O fator financeiro ainda fala mais alto, seja na competição real ou virtual.

 

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