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BRM P75 H16: o único motor de 16 cilindros a vencer na F1

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

10 de junho de 2023 · 5 min de leitura

BRM P75 H16: o único motor de 16 cilindros a vencer na F1

Muitas configurações de motores já venceram na F1: 4, 6, 8, 10 ou 12 cilindros. Mas apenas uma vez um motor com 16 cilindros conseguiu a vitória. Foi durante os anos 60. A British Racing Motors, ou simplesmente BRM, era uma das maiores fornecedoras de motores da categoria e ainda tinha equipe própria, que teve um único título, em 1962, com Graham Hill. O motor BRM 1.5 V8 era muito confiável e bom, mas o regulamento de 1966 aumentava as cilindradas do motor para 3 litros.

A abordagem inicial da BRM foi simplesmente dobrar o motor em um formato em V, de 1,5 V8 para 3,0 V16. Porém, seria um motor muito longo e não caberia nos chassis da BRM e da Lotus. Então, se pensou em outra solução: decidiu pegar o motor de 1965 e colocar os cilindros em 180°, colocando outra fileira com a mesma configuração em cima. No fim, a BRM inventou um motor 3.0 H16.

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O motor H16 seria apenas para a BRM e Lotus. A equipe de Colin Chapman usava duas fornecedoras na época (a outra era a Climax/Coventry). O acordo com a BRM começou em 1965, pois eles queriam forçar a Clímax a aumentar o investimento e fazer um novo motor. Com a negativa, ainda em 1965, a Lotus assinou com a Ford, mas o motor só ficaria pronto a partir da terceira etapa de 1967. Até lá, a Lotus continuou com essa divisão para o fornecimento de motores. 

O gigantesco motor BRM P75
O gigantesco motor BRM P75

Em paralelo, também fizeram um motor 2.0 V8, chamado de P60. Esse também foi usado pela própria BRM, pela Lotus e em algumas corridas pela Brabham. Esse motor, baseado no 1,5 V8, era mais confiável e até conseguiu vencer o GP de Mônaco com Jackie Stewart, além de três pódios com Graham Hill. Mesmo assim, não era dos mais competitivos. 

Um motor com cilindros em H é raro de ser visto, mas ele tem suas vantagens, como a capacidade e, no caso da BRM, a compatibilidade com componentes dos motores antigos, o que daria uma economia de custo. Também teria um bom equilíbrio o que faz com que o motor sofra menos com vibração, um problema bem comum nos motores em geral.

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Por outro lado, possui suas desvantagens como um centro de gravidade alto, por conta da parte superior do bloco do motor e também por conta de ter sido montado alto para dar espaço para o sistema de escapamento. O centro de gravidade interfere na questão de estabilidade: quanto mais baixo for, melhor vai ser. Neste caso, este era um problema, fazendo os carros que os usavam serem muito instáveis nas curvas. 

Mas ainda existia outro problema: os virabrequins. Eram dois, um para cada conjunto de 8 cilindros, conectados por três engrenagens. Foi uma solução pensada às pressas e acabou sendo mal projetada, o que gerava muitas vibrações do motor. Como já foi dito acima, um motor H tem a vantagem de sofrer menos com esse problema, porém não era o caso do motor da BRM. Além disso, fazia o motor quebrar: foram 27 abandonos nas 40 vezes que o motor foi usado, entre 1966 e 1968, com BRM e Lotus. 

Com relação à potência, eram 420 cv gerados, o que era bastante coisa se comparado a motores ao Honda V12, que gerava 360 cv. Porém, o regime de potência em baixas e médias rotações era bem fraco. Com relação ao peso eram 252 kg no início e ao longo do desenvolvimento, caiu para 181 kg, ainda pesado em relação à concorrência. Não bastando tudo isso, ainda consumia uma quantidade muito grande de combustível. Resumindo:  era um motor muito complexo, feito às pressas.

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A BRM P83 não conquistou nenhuma vitória com o motor
A BRM P83 não conquistou nenhuma vitória com o motor

Mas como um motor problemático deste conseguiu vencer uma corrida? Essa vitória veio no GP dos EUA de 1966, com um dos maiores pilotos da história da categoria: Jim Clark, com a Lotus 43. O britânico bicampeão do mundo conseguiu fazer o segundo tempo, caiu para quarto nas primeiras voltas e contou com problemas com os três carros que estavam à sua frente: Lorenzo Bandini (Ferrari), Jack Brabham (Brabham) e John Surtees (Cooper). Ao final de 108 voltas, Clark cruzou em primeiro e, curiosamente, foi a única corrida que o piloto conseguiu completar com esse motor em quatro oportunidades em que o utilizou.

Em 1967, o H16 foi usado quase toda a temporada pela BRM. Jackie Stewart conseguiu um segundo lugar no GP da Bélgica. Mike Spence e Chris Irwin chegaram a pontuar, mas ficaram somente nisso. A última corrida do motor H16 foi com Mike Spence no GP da África do Sul de 1968, a primeira etapa daquele ano. E para não perder o costume, ele abandonou.

A partir da corrida seguinte, a BRM estreou o P101 3.0 V12, dando fim a história do único motor de 16 cilindros que correu na categoria.

 

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