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Anfavea diz que Argentina é fundamental para indústria automotiva do Brasil

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

14 de março de 2025 · 3 min de leitura

O governo Milei pode se tornar um tormento para a indústria automotiva instalada no Brasil. Apesar de as vendas de veículos na Argentina terem crescido, algumas decisões do presidente Javier Milei vão contra o que a Anfavea considera ideal para as montadoras de autoveículos.

Recentemente, Milei reduziu os impostos de alguns veículos e isso reduziu os preços internos. E também zerou as tarifas de importação para carros elétricos e híbridos importados com valor de nota fiscal no porto de até US$ 16.000 (R$ 93.000), com uma cota de até 50 mil unidades.

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Para além disso, Milei voltou a dizer que pretende tirar a Argentina do Mercosul, caso o bloco econômico não faça um acordo comercial com os Estados Unidos. “Para aproveitar essa oportunidade histórica que volta a se apresentar, é necessário estar disposto flexibilizar. Incluindo, se for o caso, sair do Mercosul, que só o que fez desde sua criação foi enriquecer os grandes industriais brasileiros, às custas de empobrecer os argentinos”, disse Milei.

Isso seria péssimo para a indústria automotica do Brasil. “A Argentina é fundamental para o Brasil, não apenas para o mercado interno, mas porque as nossas plantas são complementares”, disse Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). 

Lima Leite disse também que a tarifa zero para carros elétricos e híbridos importados é preocupante: “Apesar de ser um volume pequeno, com cota de 50 mil unidades, isso representa 10% do mercado argentino”. Como a Argentina é um dos principais destinos dos carros fabricados no Brasil, perder 10% do mercado para carros elétricos seria ruim.

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O presidente da Anfavea disse que tem insistido com ministros e com o presidente Lula sobre a necessidade de aumentar as tarifas de importação dos carros elétricos e híbridos plug-in, que o Brasil não produz localmente. A entidade está aprofundando estudos para apresentar ao governo.

Márcio Lima Leite aproveitou para alfinetar (sem citá-la) a BYD, pois as informações atuais são de que a produção local seria em sistemas CKD e SDK, apenas finalizando carros que já vêm quase prontos da China. “Tem que ver se a produção é produção mesmo ou uma simples maquiagem”, disse.

“Nós só acreditamos em montadoras fortes no Brasil se todos os elos estiveram fortes. O aço é fundamental”, exemplificou Lima Leite. “Se você desativa um autoforno, o risco é enorme de ele não voltar, porque a ativação tem um custo enorme.”

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